O confinamento de bovinos no Brasil cresceu em 2025 em relação ao ano anterior, o que indica uma continuidade da expansão do sistema como estratégia adotada por produtores diante das oscilações de mercado, dos custos de produção e da busca por maior previsibilidade nos sistemas de engorda.
Para Maurício Velloso, presidente da Associação Brasileira de Pecuária Intensiva (Assocon), uma das principais causas desse aquecimento foi a produção recorde dos grãos mais utilizados, como milho e soja, além de uma maior disponibilidade de coprodutos, com destaque para o DDG.
“Essa confluência de fatores ofereceu, principalmente aos pecuaristas que bem usaram as ferramentas de comercialização futura, boas margens. Os custos de produção frente aos valores de comercialização estabelecem a margem possível, e é ela que define a oportunidade de ganho no negócio”, destacou.
Preço da arroba
O crescimento do confinamento tem sido consistente nos últimos anos e ocorre em função de estratégias adotadas pelos pecuaristas. Felipe Fabbri, coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, avalia que o movimento de alta para a cotação da arroba do boi gordo no fim de 2024 acabou trazendo margens interessantes para quem trabalhou com o sistema no ano passado.
“Ao longo de 2025, essas margens para o confinamento também acabaram sendo atrativas, principalmente em função dos custos alimentares dentro do contexto de confinamento, que trabalharam menos onerosos do que a reposição e do preço da arroba do boi gordo mais interessante”.
Atualmente, a Scot Consultoria trabalha com preços entre R$ 350 e R$ 355 por arroba em São Paulo, com negócios pontuais chegando a R$ 360. Segundo a empresa, a redução na oferta de boiadas e fêmeas tem sustentado os preços, enquanto frigoríficos paulistas ampliam as compras em estados vizinhos como Goiás, Mato Grosso do Sul e Triângulo Mineiro, acirrando a concorrência e elevando as cotações regionais.
“O preço do bezerro tem atraído a manutenção de fêmeas nas fazendas. As pastagens, favorecidas pelo volume de precipitação, beneficiam o poder de barganha do pecuarista, que consegue segurar mais o gado. Talvez pontualmente possamos ter ajustes, mas nada que tire os R$ 350 do radar como referencial. Inclusive, alguns fatores podem trazer ainda mais sustentação. Se tivéssemos um câmbio mais próximo de R$ 6, essa arroba poderia estar ainda mais firme”, disse Fabbri.
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Alimentação
Pelo lado da alimentação, o confinamento também foi impulsionado por uma oferta de milho confortável no ano passado. No caso do DDG, coproduto do etanol de milho e principal componente energético da dieta, houve um aumento na oferta e preços mais baixos em dezembro devido a uma demanda sazonalmente menor no último trimestre e primeiro trimestre do ano seguinte.
“Com a retomada do período das chuvas, geralmente a alimentação, a suplementação proteico-energética ou a dieta de confinamento acabam tendo menor procura por esse alimento. Boa parte do Brasil ainda produz em pasto e a gente volta a ter mais capacidade de suporte. Então há uma demanda sazonalmente menor nesse período”, disse Fabbri.
No entanto, para 2026, a projeção é de uma produtividade um pouco menor. Por ora, de acordo com o especialista, os trabalhos a campo têm indicado uma janela de semeadura do milho safrinha fora da ideal em algumas regiões do país.
“Estamos vendo volumes de chuva elevados em partes do Brasil e isso fortalece a possibilidade de menor oferta do que a estimada. Com uma demanda firme, podemos ver talvez um preço do milho um pouco mais oneroso ao longo do ano. Então é um ponto de atenção para manter no radar”, completou.
Pontos de atenção
Segundo estimativas da Scot Consultoria, o confinamento este ano pode atingir recorde, com até 9,5 milhões de cabeças abatidas. No entanto, segundo a empresa, o ponto de atenção está totalmente relacionado à reposição.
“O bezerro tem atingido o seu preço máximo nominal. Isso tem levado também ao aumento de preços das outras categorias de reposição, consequentemente boi magro e garrote. Custos pensando na aquisição desse perfil de boiada para o confinamento maiores são esperados”, destacou Fabbri.
Ele considera que a estratégia do confinamento está atrativa, considerando os preços atuais, no mercado futuro da B3 e o custo alimentar vigente. “Se tivermos alguma inversão nesse contexto ou ficar exposto sem nenhuma estratégia de hedge ao longo da temporada, a gente pode ver talvez essas margens um pouco mais depreciadas. Então, atenção na estratégia de hedge e principalmente no custo da alimentação”.
“Mercados interno e externo aquecidos, safra farta e barata de grãos e oferta restrita de animais aptos à terminação compõem receita quase certa para um bom guisado de margem positiva à terminação intensiva. Para quem souber e cumprir os fundamentos de produção e comercialização futura, 2026 promete”, acrescentou Velloso, da Assocon.
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